quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Do Sofá,Parte II

O que pode inspirar uma borboleta na linha do teto com a parede lateral?Talvez um escapulir de lembrança, mas lembrança de que, afinal nunca vivi nada que se aproxime de borboleta na linha do teto, ou será que vivi?

E essa porta em contraste com o muro com musgo lá fora, o que me inspira?Inspira-me uma boa olhada, olhada que sinto que bate lá no calcanhar e que volta para mais uma vez torna-se “olhada”.
Isso me inspira e boto pra fora antes mesmo de se tornar algum vestígio de expressão do tipo “eu, eu mesmo, somente eu”.A casa em silêncio e que em tempos anteriores quando eu ainda criança esfriava a barriga de medo, medo dos seus grandes olhos, hoje se foi o medo, ficaram os olhos, e que eu particularmente gosto mais pela manhã.

E se nos ouvidos fosse posto algodão, nos olhos os “tapa”, na boca fita e prendesse toda a respiração?


...Ainda não seria o bastante pela centena de milhares que são a colônia, deixada a viver na ilha.


Gilliard Bastos.

domingo, 17 de agosto de 2008

É De Cinza.

São Paulo que venho descobrindo, longe dos grandes centros é nada menos que; uma clareira e que em teimosia salpica gotículas em minha janela nesse meio de ano onde fica assim tão Augusto dos Anjos, com a cara feita viúva de cem anos de solidão.
Confesso que tenho um desvio e penso gostar de ti e não sei se é de dentro pra fora ou o contrario a isso.


São Paulo que escorre com os dias, e que tanto sei o quanto me observa.
Porque pareço sombra nesses dias em que o material faz as cabeças ricas fracas que se põe a pé.

São Paulo Amante cúmplice, e que observa da janela.
São Paulo complacente que salpica gotas em minha janela, feito tempero de salada de mamãe.

Eu aqui assistindo minha juventude por ai, feito nuvem, e tu com seu jeito tão Cidade grande, tão São Paulo e feito São Paulo.

São Paulo que inspira as letras e as faculdades de ensino boca de quarto,que inspira o jantar de madrugada e que carrego embaixo dos pés...ou será acima da cabeça?



G.Bastos.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

De bigode, Feito Cuba.

Diante de pelotão de fuzilamento Aureliano não martelou bem quando se apaixonou por Remédios e que logo a frente mostrou-se Paradoxo humano, e enquanto isso Rebeca come terra e estraçalha os dentes em casco de caracóis.
Diante do pelotão de fuzilamento Lou Von Salomé que fez com que o velho morto demorasse ainda mais antes de sucumbir maltratou-lhe a mente, mas assim seria de qualquer forma.
Diante do pelotão de fuzilamento Gregor Samsa em sua espalhafatosa vida de devaneios invejastes Dela Mancha.
-Estou eu confuso?
O tal da imaginação, o louco dos vilarejos, Maluco das cidades, a Patologia das ciências Falidas.

Diante do pelotão de fuzilamento, Gabriel ocioso em seu sofazinho, perdendo o que ainda lhe resta aos instantes, perdeu a vida na casa de maquinas antes mesmo de estar casado com Ana Maria.
Diante do pelotão de fuzilamento Ana Maria tomada pela febre pedala incansavelmente seu instrumento, a febre que faz promessas enquanto agarra o individuo ainda na cama, a febre da luta por conforto e liberdade aos trancos.

Diante de pelotão de fuzilamento Sophia engoliu a maquina de costura acreditou que só assim poderia ser liberta, só que antes foi doutrinada a filosofia da “Historia não tem fim”, agora repousa com tinta, papel e algodão nos ouvidos para evitar escorrer realismo.

Diante do pelotão de fuzilamento Caulfield ainda percorre ruas sem gosto nenhum, o faz por nem mesmo saber, mas ainda vê amor em sua irmãzinha, de resto tudo se tornou aguado.

É Domingo que quer ser sábado e vice versa.