sábado, 1 de novembro de 2008

Um texto mudo para um dia Surdo.

O vento tenta abrir a janela, mas sem dedos percebe o quanto isso é vão.
Busca então impor sua presença no lado de fora uivando, mas não me bota medo algum.
Em baixo da cama dizem ter monstros,e eu concordo embaixo da cama que durmo deve ter centenas deles,e com o passar do tempo vou me acostumando ,pelo quarto vestígio de uma sociedade moderna,amplificadores,captadores, fios e cordas de aço.
O guarda roupa parece um gigante mudo que às vezes se abre e fica te olhando escancarado expondo algumas das poucas peças do vestuário, lindo é o teto com seu ar cauteloso irmão das paredes observa cada passo aqui dentro, sem contar o chão que é um senhor individuo, sempre te olhando de baixo para cima com sua face extremamente gelada e úmida.Chega o momento então em que o Ser flutua no meio de todo esse conjunto de mudos e quase surdos, o Ser de sangue ainda quente vagueia em meio a eles e fica realmente inerte preso em seus pensamentos,fagulhas de pensamentos pedaços deles,dissecados com o passear dos instantes,logo se perdem e dão continuidade a outro ate um curto momento em que se torna uma lacuna e o ser fica espontâneo porém não demora para estar de novo em meio ao vento que tenta arrancar a janela e uiva feito lobo.
Bom arranca de mim esses pensamentos e bota logo frente.Sem raciocinar muito nesse curto momento,porque afinal já raciocino sobre isso a tempo,pode ficar ai escreve sem parar e não se pergunta muito se vai ter cabimento,sentido ou razão.
-Existe razão?
-Ainda existe razão?
...Interrogação e mais interrogação e também muito bla,bla e bla.
-Seria uma retórica?
Bom caso fosse uma retórica teria que fundo? Fundo de que?
Não sem duvida não é uma retórica é apenas escrever e “curtir o momento”, dar continuidade ao fluxo já que tanto implora para ser posto para fora, combinação de cadeias de dias minutos segundos e por ai vai.
E o que faço eu com os inúmeros sonhos ou delírios de fascinação ou de não fascinação que me pegam as escondidas e me deixam esquálido em outro lugar que não tem lá muito a ver com esse,esse do meio físico que me encontro.Ontem o que foi aquilo já se foram 20 anos e misturamos realmente muitos dias, sentimentalismo é o movimento que não morre, está sempre em alta, presente em todos os que já sucumbiram e ainda presente inclusive nesse.
“Eu preciso fazer a minha vida”.
Já se perguntou que o endividou ser humano tem a necessidade de agregar os seus valores e vitórias a outro individuo. Não suporta o peso do fardo de uma conquista sem assumir que foi capaz de fazê-lo só e por mérito próprio.Ou seja, ele quer se sentir sempre em uma condição inferior e ao mesmo tempo quer estar no centro do mundo ou em algum ponto de tudo isso.Mesmo que o tal do individou a quem ele agrega os valores venha a ser uma idealização mesmo que tudo não passe de invento,coisa da mente.
Me desperta interesse, é um vestígio de paradoxo assim como Freud já vinha dizendo.
Inserido dentro do ser, eu vejo dessa forma pensei isso ontem me olhando no espelho e pensando no que pode ser realmente Deus.
O próximo instante vazio e a sacada do nada,perceber o instante vazio e a sacada do absurdo,não ter fundo é a sacado do infinito,fechar os olhos é a sacado do fim do mundo...


Dedicado a Sartre.

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